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Já pensou em ler um livro narrado por uma vaca? Conheça “Holy Cow”!

Holy Cow nada mais é do que uma fábula adaptada em livro. O autor – e também ator, roteirista, produtor, diretor, compositor e cantor – David Duchovny claramente não fez esse livro para crianças. Apesar da arte de capa e do título, e talvez até pela história, serem considerados “infantis”, a história abrange temas sérios.

O livro é narrado por Elsie, uma vaca (sim, literalmente). Elsie ama sua vida calma na fazenda, onde ela tem sossego e nenhum problema. A única coisa que a incomoda é o fato da sua mãe ter desaparecido misteriosamente, mas ela evita tais pensamentos já que isso é considerado “normal”, e os pais de todos um dia somem.

A trama começa a ficar interessante quando Elsie descobre através do “Deus Caixa”, que nada mais é do que uma televisão, que os animais da fazenda apenas estão ali para serem mortos e virarem comida aos humanos. Isso choca a personagem de tal forma que ela começa a se questionar sobre assuntos que nunca a preocuparam antes.

Vocês, humanos, bebem o nosso leite e comem os ovos das galinhas e das patas. Isso já não é suficiente? Não é suficiente darmos a vocês o que seria destinado a nossas crianças? E se não é, quando será? Tudo que vocês, humanos, fazem é pegar, pegar, pegar da Terra e de suas criaturas magníficas, e o que dão em troca? Nada. Sei que os humanos consideram um insulto grave serem chamados de animais. Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais.”

Elsie então resolve mudar seu destino e ir para a Índia – país onde as vacas são sagradas. Em meio aos preparativos, mais dois animais resolvem embarcar nessa aventura com a protagonista: Shalom, um porco judeu que quer ir para Israel e Tom Turkey, um peru que deseja ir para a Turquia (ou, em inglês, Tom Turkey quer ir para Turkey).

Eles então partem para a viagem, disfarçados de humanos e com o cartão de crédito dos fazendeiros. Porém, alguns imprevistos e erros os levam para os três países juntos, e é onde Elsie começa a perceber que a crueldade humana é apenas um modo de pensar, e ela está em toda parte. Como por exemplo, a discriminação social ou religiosa.

“Os israelenses construíram esse muro gigante para manter os árabes palestinos fora das terras em disputa que eles reivindicavam para si. Isso me lembrou das cercas lá na fazenda, que eram feitas para manter a todos nós, animais, em nosso lugar. Há algo no homem que ama um muro, mas o que os construtores de muros e cercas não entendem é que, ao mesmo tempo que mantêm alguém fora da cerca, ficam eles mesmos presos dentro da cerca.”

Algumas partes da história são bem “anormais” e completamente impossíveis, como os animais entrarem no aeroporto sem serem reconhecidos. Mas, como se trata de uma fábula, o que vale é a moral e a narrativa – que no caso de Holy Cow é super engraçada, com frases de duplo sentido e um humor sofisticado.

Holy Cow proporciona ao leitor uma leitura divertida, mas também o auto questionamento sobre ações diárias que muitas vezes nos passam despercebidas.

“…Então acho que não é tão importante assim que os sonhos se realizem, o importante é ter um sonho, algo que nos faça dar o primeiro passo.”