PRIDE: O impacto e a importância de dar suporte aos artistas LGBTQ+

Elton John, Freddie Mercury, Cássia Eller e Renato Russo. Se você nasceu depois dos anos 1990, provavelmente não está tão familiarizado com esses nomes mas com certeza eles tem muita influência sobre os artistas que você conhece e ama hoje. Esses cantores foram alguns dos primeiros ícones da representatividade LGBTQ+ e que inspiraram gerações de outros artistas a se expressar como realmente são.

Apesar do movimento LGBTQ+ ter começado e se fortalecer com a Revolta de Stonewall em 1969 e a primeira parada gay sendo realizada lá em 1970, é importante dizer que o cenário nunca foi e continua não sendo favorável para os membros da comunidade. Nos anos 2000 nós podemos usar como exemplo dois artistas que tiveram sua sexualidade reprimida por conta da pressão da sociedade: Ricky Martin e Lance Bass (ex-integrantes dos grupos Menudo e N’SYNC, respectivamente).

Você deve estar se perguntando: por que é importante citar esses casos já que estamos em 2019 e o contexto é totalmente diferente? Pois eu explico.

Em uma entrevista ao podcast “Homo Sapiens” em janeiro deste ano, o nosso querido Troye Sivan revelou pensar que se fosse um artista heterossexual teria mais sucesso. E isso não é regra mas, de fato, ocorre na indústria. Em 2006, Lance Bass revelou que tinha receio de comentar sua sexualidade enquanto fazia parte do N’SYNC mesmo que seus companheiros de grupo fossem incríveis com ele pois, no seu entendimento, isso poderia levar a banda à ruína. Tanto ele quanto Ricky Martin faziam parte de boy bands, o que significa que, naquela época, ambos eram considerados objeto de desejo pelo público feminino, fato este que poderia ser comprometido se viesse à público a verdade sobre quem eles são. Ricky Martin também só comentou sobre esse assunto em 2010 e mencionou que sua família e amigos achavam que o mundo não estava pronto para um ícone pop assumidamente gay.

No Brasil, tivemos artistas como Cássia Eller e Cazuza que, ao falarem abertamente sobre sua sexualidade, foram vítimas do discurso de ódio de muitos brasileiros. Hoje temos ícones como Pablo Vittar e Glória Groove que tem tido um papel importantíssimo para a ascensão da cultura queer no país, esta, apesar de já ter um pouco mais de visibilidade, segue sendo constantemente criticada de maneira negativa.

Todos os casos citados nos mostram que a sociedade e a indústria, apesar de todos os avanços, ainda não agem com naturalidade diante de artistas LGBTQ+. Isso projeta medo em alguns artistas e faz com que muitos deles não se sintam confortáveis em sua própria pele. 

Desde sempre foi necessário muita luta para haver mais visibilidade para a comunidade e isso segue acontecendo. Atualmente, mais artistas são participantes ativos do movimento ou se declaram allies (“aliados”), tais como Sam Smith, Lauren Jauregui, Cara Delavigne, Hayley Kyoko, Troye Sivan, Pablo Vittar, Lady Gaga e muitos outros.

Há alguns anos atrás, com a música e o videoclipe de  Born This Way, Lady Gaga disseminou uma mensagem incrível sobre a diversidade e autoaceitação. Mais recentemente, no videoclipe de You Need to Calm Down, Taylor Swift fez menção à Revolta de Stonewall e trouxe uma mensagem clara às pessoas intolerantes e homofóbicas. Esse tipo de ação é de extrema importância para dar suporte ao movimento, mas também é indispensável que se demonstre apoio aos artistas LGBTQ+ em si para que com o tempo não exista uma discrepância entre estes e os artistas heterossexuais. 

Todo apoio oferecido é crucial. A conquista do espaço digno e reconhecimento em meio a sociedade não vem fácil e é por isso que cada like, cada stream e cada palavra de carinho fazem diferença. Cada um dos artistas LGBTQ+ que você gosta e a maneira como eles se portam hoje, são reflexo da luta de pessoas que vieram antes, assim como a luta de quem está presente hoje abrirá portas para quem ainda está por vir.

Então, se você gosta e acompanha alguns desses artistas, não pense duas vezes na hora de demonstrar seu amor e dar suporte. Cada pequena atitude de apoio irá colaborar para o futuro igualitário que nós tanto sonhamos.

Em comemoração ao Pride Month listamos alguns cantores LGBTQ+ e filmes com essa temática que você não pode perder.

Carolina Oliveira

22 anos, publicitária, colecionadora de CDs, fascinada pelos hinos pop dos anos 90 e apaixonada por Friends. Instagram/Twitter: @callmecarou

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