CRÍTICA: “A Prometida” aposta na realeza, mas peca no desenvolvimento dos personagens e história

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Se tem uma autora que amamos falar no site, ela é a Kiera Cass. Dona de uma das maiores sagas da geração, a escritora lançou este mês o seu novo livro “A Prometida”. O livro que traz, novamente, um mundo governado pela monarquia, já conquistou um lugar na prateleiras dos fãs (ou na pastinha online) e todos estão comentando.

Reprodução | Editora Seguinte

Para quem ainda não conhece a história, “A Prometida” conta a história de Lady Hollis, uma jovem que cresceu no castelo de Keresken, competindo com as outras damas da nobreza pela atenção do rei. Depois de cair nos braços do Rei Jameson (literalmente!), ela finalmente consegue sua atenção e poderá provar o seu valor. Cheia de ideias e opiniões, logo Hollis percebe que, por mais que os sentimentos de Jameson sejam verdadeiros, estar ao seu lado a transformaria num simples enfeite. Tudo fica ainda mais confuso quando ela conhece Silas, um estrangeiro que parece enxergá-la – e aceitá-la – como realmente é. Só que seguir seu coração significaria decepcionar todos à sua volta.

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O livro tem a mesma premissa do grande sucesso de Kiera Cass, “A Seleção”. Somos apresentados a uma jovem empoderada, que ganha o coração do rei e precisa entender se a vida real é realmente aquilo que ela quer para o seu destino. Temos um triângulo amoroso, que assim como em “A Seleção”, os fãs se dividem para ter o seu favorito e torcem para que a protagonista fique com quem eles querem. Os vestidos, palácios, eventos, quartos maravilhosos e todas as características da realeza que conhecemos estão presentes no livro.

O livro tem uma história promissora. Kiera faz aquilo que sabe fazer, escrever sobre monarquia, fazer com que seus fãs sonhem que são princesas ou príncipes, porém, nem mesmo apostar na zona de conforto pode ser algo positivo.

Infelizmente,o livro traz alguns pontos que não conseguiram passar despercebidos. Ao ler o livro, sentimos que não ouve um desenvolvimento dos personagens e da história. Não conhecemos a fundo cada personagem e não tivemos uma apresentação completa para entendermos o motivo de suas escolhas. Os personagens simplesmente caminham na história e pronto. Não tem uma conexão e não tem um desenvolvimento profundo. Os diálogos são rasos e sem profundamento. Se eles ficam bravos, eles simplesmente ficam bravos. Parece que a cena acontece, demonstra que vai ter uma importância para o futuro da história e depois é esquecida no churrasco. Isso faz com que tudo a trama caminhe muito rápido, sem entendermos as emoções e motivações dos personagens, e quando a história termina, você fica com aquela sensação de “o que aconteceu? Não entendi. Por que fulano fez isso? Porque ela se comportou desse jeito? Por que ele ficou puto e não mostrou mais nada? Como o passado dela afeta neste momento”?

Talvez fazer com que a gente sinta esse vazio e nos questione sobre o que motiva os personagens tenha algo proposital. A história caminhou para uma continuação (e precisa ter uma continuação) e quem sabe, vamos conseguir enxergar muito mais nos personagens e entender suas ações, desejos e vontades.

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Mesmo com falhas e com uma história promissora, “A Prometida” está dando o que falar. Muitos já estão loucos por uma continuação e torcendo para os seus personagens favoritos, outros ainda estão ou vão ler e outros querem seu dinheiro de volta. De qualquer maneira, temos que admitir que Kiera Cass conhece o seu público e criou uma história dentro da sua zona de conforto e que sabia que gerar curiosidade entre seus leitores.

“A Prometida” já está disponível no Brasil e pode ser encontrado em diversas lojas online. Se ficou curioso ou ainda não conhece as obras da Kiera Cass, esse é o momento para dar uma chance. Boa leitura!

Thatiane Molina

26, leonina, publicitária e apaixonada por cinema

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