13 Reasons Why: é necessário uma nova temporada após tantos erros controversos?

Apesar da 3ª temporada de ’13 Reasons Why’ abordar assuntos delicados, o diretor Brian Yorkey cometeu erros quando se tratava do futuro controverso de Bryce Walker (Justin Prentice), além de apresentar um lado irreconhecível de Clay Jensen (Dylan Minnette) e uma nova personagem que, para muitos, não devia fazer parte da série.

As novas remessas de episódio mostram as consequências do suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford) e as fitas que foram distribuídas para os personagens. Embora tenha se mostrado popular na Netflix, se tornando uma das séries mais assistidas da plataforma e com um elenco incrível, o drama recebeu várias temporadas, apesar de encerrar a história de Hannah.

Entregando um conflito de roteiros durante as temporadas, a história também vem sendo trabalhada de forma controversa devido a diversos assuntos, que ao lado do suicídio de adolescentes inclui agressão sexual, homofobia e o porte de armas ilegais. Isso não mudou na 3ª temporada, que tentou abordar uma variedade de tópicos pesados ​​e importantes, mas, embora não teve sucesso, especialmente com o enredo de Bryce Walker.

Por que trabalhar em uma personagem nova agora?

A atitude e a ideia de continuar trabalhando com elenco principal, expandiu a história, mas ao apresentar Ani Achola (Grace Saif), que recentemente se mudou da Grã-Bretanha para os EUA, trouxe uma narrativa sem sucesso e de questionável. Por que o diretor resolveu trazer uma nova personagem na remessa final da série? E não antes quando o caso estava sendo investigado?

Antes da morte do atleta, Ani Achola é apresentada e imediatamente, ela se torna amiga de quase todas as pessoas da escola, incluindo todas as mencionadas nas fitas de Hannah. Depois de formar um vínculo estreito com Clay e Bryce, ela começa um relacionamento romântico com os dois. Algo extremamente dessagrável, o que gerou um conflito de valores que é trabalhado na trama. E tem mais, Ani forma um vínculo romântico com Jéssica.

A única razão para sua participação ao programa foi usada apenas como uma forma de acrescentar história, adicionar mais tensão aos relacionamentos tênues pré-existentes no drama. Ela se esconde constantemente nos cantos e ouve conversas pelo que parece não ter nenhuma razão. Embora a 4ª e última temporada possa fazer uso dessa coleta de informações, ainda não recebeu nenhuma forma de atenção. Eles passaram muito tempo tentando incorporar Ani como um membro do elenco principal que acabaram sofrendo com o resultado.

A série optou priorizar a recuperação do estuprador ao invés da vítima

Desde a 1ª temporada, Bryce é visto como uma pessoa monstruosa e suas ações não podiam ser resgatadas e perdoadas de forma alguma. Ao longo da série, o atleta agrediu sexualmente e estuprou várias mulheres. Embora tenha mostrado todas às duas sentenças reais fornecidas a estupradores em série, a 3ª temporada não precisou resgatar seu personagem. Os primeiros 26 episódios mostraram sua falta de remorso por sua ação e o fato de que, ele só recebeu três meses de serviço comunitário depois de agredir Jéssica (Alisha Boe). Vale ressaltar que o que ele fez é algo imperdoável e de extrema crueldade. Na última temporada, o diretor detalhou os procedimentos judiciais que ocorreram e o impacto mental e emocional negativo que teve sobre ele.

Esses flashbacks tentaram criar um caráter simpático a partir de um estuprador malicioso e mal-intencionado. Enquanto as pessoas mudam e têm a capacidade de reparar os erros que cometeram, a série não mencionou e nem desempacotou nenhum dos discrepantes que poderiam ter contribuído para seu tratamento flagrante das mulheres. Não houve reconhecimento da cultura do estupro, patriarcado ou misoginia que contribuirão para suas crenças e mostrou que as suas ações eram justificáveis. Estuprar e agredir uma pessoa é algo que não possui perdão. O diretor pensou em como as vítimas reais de estupros se sentiram ao ver isso? Não!

Vale lembrar que, a 3ª temporada se concentrou principalmente em Bryce e suas tentativas de lidar com as suas atitudes, que ofuscaram a história de recuperação de Jéssica. Então por que fazer uma nova temporada enquanto o próprio diretor continua repetindo os erros? A série optou por priorizar a recuperação do estuprador em detrimento da sobrevivente, perpetuou ainda mais uma ideologia de que os homens são as vítimas em casos de estupro, apesar de serem os autores da ação.

O Clay precisa de ajuda, mas ninguém dá a mínima

Durante toda a série, Clay Jensen atua como mediador de vários problemas que outros personagens enfrentam e lutam. Exceto que, na 3ª temporada, ele se tornou muito mais problemático e ele grita por ajuda. Assim que os pais de Tony Padilla (Christian Navarro) são deportados pelo ICE, Clay responde com raiva, perguntando-lhe por que ele não contou antes. O personagem não pergunta ao seu amigo se ele está bem, nem pergunta se existe alguma maneira dele estar lá por ele. Ele não era assim, é visível que ele está com esgotamento psicológico. Ele se tornou o protagonista da série, mas o roteiro não trabalha na evolução dele, ele continua na mesma.

No geral, a caracterização de Clay é nada menos que problemática e auto-envolvida. Ele está preocupado demais em salvar os outros, a fim de receber reconhecimento por isso, e se recusa a realmente estar lá pelas pessoas com quem se preocupa. Esse é um sentimento de culpa, ainda por Hannah. Ele é utilizado regularmente como catalisador de eventos, resultando no sub-desenvolvimento de sua história, que busca detalhar como a sua saúde mental precisa de atenção. O desenvolvimento de seu personagem é desesperador e o próprio ator concorda.

O que precisa ser falado na útima temporada?

O enredo possui muitas falhas e falta de narrativa concisa. Isso se deve ao fato de que eles só têm um romance como base, mas cobriram todo o material original na 1ª temporada. Enquanto a 2ª temporada tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas. E funcionou, o diretor tentava se desviar da história de Jay Asher. A única razão pela qual eles se mantiveram na estrutura de 13 episódios é unicamente por que havia 13 lados nas fitas que Hannah enviou. Inclusive os próprios produtores falaram isso.

Suas inconsistências e tramas confusas, não mostram a razão verdadeira para ter uma temporada inteira de 13 episódios. A temporada poderia ter sido melhorada, encurtando sua duração e contando as histórias de maneiras mais concisas e de forma responsável. Mais uma vez, a adição de um novo personagem também afetou negativamente a série como um todo. Se eles não tivessem sido apresentados e os 13 episódios tivessem sido condensados, a terceira temporada pode ter sido bem (ou pelo menos melhor) recebida por fãs e críticos.

’13 Reasons Why’ é uma série controversa que tentou destacar os problemas que os adolescentes enfrentam. Apesar de remover uma de suas cenas mais pesadas, há assuntos sensíveis que permeiam toda a sua extensão. Agora, a 4ª e última temporada, não há como dizer o que vai acontecer e se eles resolverão os problemas que criaram.

André Luiz Freitas

EDITOR DE CINEMA/TV - E aí, que tal falarmos sobre música, série e filmes? Me chama lá @andreluizfreitas_

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