A importância da voz de Pabllo Vittar na indústria musical e no mundo

Pabllo Vittar, literalmente, foi longe demais. Nordestina, cantora, compositora e drag queen, explodiu na cena em 2014. Entregando um poder e sendo considerada por muitos um furacão, a estrela brasileira dominou o Brasil e o mundo.


Detonando num dos solos mais difíceis de Whitney Houston no programa Altas Horas, da Rede Globo, o Brasil era um lugar perigoso para se identificar como LGBTQI+, mas havia uma sensação de que a mudança estava prestes a acontecer e muito disso, Vittar foi a responsável.

Em entrevista à Serginho Groisman, a nordestina emocionou os telespectadores ao relembrar alguns episódios da sua infância, época em que começou a sofrer com os comentários preconceituosos e ataques feitos pelos seus colegas de classe. Desde então, Vittar usa sua voz para encorajar e incentivar pessoas a serem elas mesmo.

“Eu não tinha a quem recorrer. Tinha minhas irmãs que estudavam comigo. Os professores não faziam nada, a diretora não fazia nada. Eu lembro de ter chegado em casa chorando, muito triste: ‘Mãe, não quero ir pra escola mais’. Então minha mãe falou: ‘Pabllo, você vai amanhã pra escola sim, porque a sua vida inteira vai ser desse jeito. Se você se esconder, vai ser pior.”


Em uma era da música brasileira em que se ouve falar muito sobre artistas brasileiros, Pabllo também tem conquistado seu espaço não só aqui, como mundo afora. Veículos e portais de grande relevância internacionalmente listaram a cantora como uma das principais cantoras brasileiras que usam a fama para participar de discussões importantes a favor dos direitos e da visibilidade LGBTQI+.

“Ser uma artista LGBTQI+ no Brasil é incrível. Trazer representatividade para as escolhas, cidades. Eu lembro quando eu estava crescendo e não tinha ninguém para me espelhar e isso era muito difícil. O que faz meu trabalho valer a pena é mudar a vida das pessoas.”

A luta e a força de Pabllo Vittar serve como exemplo para inúmeras pessoas. E por conta disso, a maranhense sempre cita a sua arte como um meio de expressar tudo o que sempre sentiu e enfrentou.

“Espero que de alguma maneira eu também inspire outras pessoas a serem elas mesmas, independente do medo e de as coisas ruins que nos rodeiam. Não é fácil, mas juntos nossas vozes soam mais alto enquanto mais barulho fizermos, mais difícil será para ignorarem nosso pedido de igualdade.”.

Pabllo não é apenas a drag queen mais seguida nas redes sociais, somando os seus mais de 10 milhões de seguidores no Instagram, e combinados com as visualizações de vídeo totalizam 1 bilhão, ela supera RuPaul, a qual é sua inspiração de reinvenção.

Ela foi a a primeira drag queen a ser indicada para um Grammy e também foi indicada como Melhor Artista Brasileira no MTV Europe Music Awards de 2018 e 2019. Além disso, a estrela foi a primeira artista brasileira a se apresentar na premiação.

A feminilidade ainda é vista como sinônimo de fragilidade e, Pabllo, não tem problema em mostrar isso e valor da transformação, como drag queen e performer.

“O ser afeminado, pra mim, é muito revolucionário no sentido de dar a cara a tapa. São as ‘bis’ [bichas] afeminadas que estão ali na posição de frente, elas que levam o baque primeiro”, acredita a artista. “Elas que são apontadas, que levam a lâmpada na cara. Se a gente tá aqui hoje, dando uma entrevista, toda montada de drag, é porque muita gente morreu e sofreu preconceito pra gente ocupar esse espaço. Isso é fato”.

André Luiz Freitas

EDITOR DE CINEMA/TV - E aí, que tal falarmos sobre música, série e filmes? Me chama lá @andreluizfreitas_

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