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REVIEW: ‘Smile’ e a brilhante jornada de Katy Perry para recuperar sua alegria

Reprodução: (Divulgação/Universal Music)

É isso: estamos oficialmente na semana de lançamento do aguardado álbum “Smile”,  o glorioso comeback de Katy Perry com seu quinto álbum de estúdio, apelidado carinhosamente pelos katycats de “KP5”. Eu tive a oportunidade de ouvir o material todo e fico muito feliz em poder antecipar alguns detalhes deste trabalho tão lindo com todos os outros fãs desta mulher, que, para mim, é um dos seres humanos mais preciosos da face da Terra.

Diferente de muita gente, acredito que “Witness” é o melhor álbum da carreira de Katy. É o que funciona melhor como trabalho completo e trata de assuntos necessários de se debater e perceber, como “Chained To The Rhythm” e “Bigger Than Me”. É sobre falar a sua verdade, mesmo se sua voz falhar. É sobre ter coragem, sobre se posicionar – um ato tão importante em artistas com plataformas gigantescas, como a de Katy. Bom, nem todo mundo refletiu ou pensou assim na época e muita coisa aconteceu desde então.

Após este período conturbado em sua vida e o considerado “fraco” desempenho do “Witness” – e toda falta de compreensão da mídia e do público perante um álbum ousado e provocativo (até mesmo experimental) na carreira de Katy, a cantora soube “voltar às suas raízes pop” e entregou tudo o que queríamos. E sim, agora estou dividido e acho que “Smile” pode muito bem se tornar o melhor álbum de Katy para muitos fãs, inclusive eu.

Estão prontos para descobrir como foi a jornada de Katy Perry para recuperar o seu sorriso? O lançamento oficial é nesta sexta-feira, mas enquanto isso, vou adiantar algumas coisinhas:

1. Never Really Over

Quando fiquei sabendo que “Never Really Over” seria a faixa de abertura do “Smile”, meu coração quase pulou pra fora. Tudo bem, confesso, é a minha música favorita e tem um motivo: ela me marcou na alma e na pele, pois representa a conexão que tenho com Katy e nossa tattoo em conjunto. Se você está se perguntando “mas do que ele está falando?”, eu sou o brasileiro sortudo que viajou para Los Angeles no ano passado e fez uma matching tattoo com a própria Katy Perry, na festa de lançamento do single. Eu e a Karen César contamos toda a experiência de como conhecemos esse anjo lindo neste vídeo:

Mas voltando à “Never Really Over”, volto a dizer que fiquei muito feliz por vê-la entrando na tracklist do álbum, não somente por minha conexão com ela, mas por saber que ela significa o grande retorno de Katy à música depois de um período traumático para ela. Além disso, é uma grande adição ao trabalho todo, pois fala sobre as lições que aprendemos no nosso passado, referência ao “Witness”, talvez, e que está tudo bem ter passado por tudo isso, afinal, o que vivemos faz parte de quem realmente somos. E essa percepção é o que nos leva ao começo da jornada de Katy se reerguendo e descobrindo sua felicidade novamente.

2. Cry About It Later

“I got angel wings”

Após perceber que tudo o que viveu fará parte de si, Katy decide não mais ficar presa no passado, apesar de aceitá-lo, mas sim, viver o presente. É uma música suave, mas não deixa de ser uma PODEROSA canção pop – destaque para o instrumental da segunda ponte da música, pesado e encorpado. Em outras palavras, eu diria que “Cry About It Later” é sobre se desprender da dor por um rápido momento, buscar experiências novas e aproveitar a vida, mesmo que esteja em um estado de dormência, entorpecimento. “Tonight I’m having fun; Tonight I’m getting something brand new”.

Eu já estava quase me convencendo de que essa seria uma das minhas favoritas do “Smile”, mesmo estando na faixa 2, e tive a certeza quando ouvi o solo de guitarra e o vocoder no pré último refrão. É tudo o que eu estava precisando de uma música da Katy Perry e nem sabia que estava precisando disso. Surpreendido da melhor maneira possível. “Cry About It Later” será o novo hino de vários Katycats.

3. Teary Eyes

“Have you ever left yourself behind?”

Seguindo os passos da irmã “Cry About It Later”,  “Teary Eyes” também fala sobre escapismo e continuar se agarrando ao momento, divertir-se mesmo estando triste. Katy canta sobre uma pessoa que perdeu a sua luz e não consegue mascarar a depressão, mas vai curtir e “dançar com olhos lacrimejados”. É uma faixa bem pop, tenho certeza que muita gente vai pedir (e torcer) para tocar na balada quando a pandemia acabar: o refrão não te deixa parado e vai te fazer dançar – mesmo com lágrimas nos olhos. Genial.

4. Daisies

O primeiro single oficial do “Smile” faz todo sentido nesta construção da narrativa da nova era de Katy. É uma música de auto-empoderamento. É quando ela percebe que não dá para continuar chorando, que é hora de pegar os paus e pedras atirados nela para construir uma casa.

“When did we all stop believing in magic?”,  a frase que para mim, significa que em algum momento as pessoas pararam de acreditar no poder de suas músicas, no poder que um dia ela teve de ajudar a mudar a vida de pessoas com “Firework”,  de superar medos e vencer, com “Roar” e “Rise”, de simplesmente ser feliz com “California Gurls” e “Teenage Dream”. Não, Katy continua sendo quem ela é, e sempre vai ter sua essência, não importa o que aconteça.

E aqui, o jogo começa a mudar.

5. Resilient

“I am resilient, born to be brilliant”

Katy percebe que seu destino é brilhar e não vai desistir. Ela se dá conta que sua resiliência vai fazê-la chegar muito longe, e que não importa a dificuldade que passar, ela vai continuar crescendo. A jornada agora chega em um ponto em que ela começa a se reerguer, e que mesmo “morrendo” vai “sobreviver”.

É uma faixa fofa, mas poderosa pela mensagem. Katy se compara à uma flor crescendo por volta do concreto, mas nada a atrapalhará, mesmo que ela tenha que crescer pelos buracos do chão. Linda metáfora.

6. Not The End Of The World

Na metade do álbum chegamos em seu ápice. Katy entregou uma faixa surpreendentemente épica usando vocoder mais uma vez, um recurso que combinou MUITO com sua voz. Se eu fosse comparar com a sonoridade de alguma música antiga, eu diria que é uma mistura de “Rise” com “Dark Horse”, mas é maravilhosamente diferente de tudo que ela já fez, consagrando-se como uma das melhores faixas pop da carreira.

“Not The End Of The World” será uma que todo mundo vai amar cantar bem alto nos shows e na balada. Levando em conta a situação do mundo em 2020 com uma pandemia, ouvir o refrão dessa música parece que te dá forças, quase como se estivéssemos vivendo o clímax de um filme de ação onde vamos dar a volta por cima. “What a time to be alive”.

A mensagem que fica, é que mesmo que pareça, não é o fim do mundo, não vamos perder a esperança. O final é marcado com a frase “don’t say goodbye (não diga adeus)”, e pode inclusive significar implicitamente a transição da era “Witness” para a “Smile”. Por mais que muitas pessoas a abandonaram, Katy finalmente conseguiu se reerguer e percebeu que toda essa situação não foi o fim do mundo para ela.

7. Smile

Servindo como uma sequência perfeita de “Not The End Of The World”,  aqui percebemos que Katy finalmente recuperou o seu sorriso após eventos traumáticos e conturbados. Muita consciência, muito choro, muita resiliência e empoderamento a fizeram enxergar o que realmente importa em sua vida: sua família e seus verdadeiros fãs. Ela é grata pela vida, pelas lições que aprendeu e por sua evolução. Essa Katy 2.0 veio para ficar. A partir deste ponto, o tema do álbum fica mais leve.

8. Champagne Problems

“I’m so glad we made it this far”.

Ufa, a jornada foi longa, muito sofrimento pelo caminho, muitas provas e realizações. Fica aquele sentimento de que “o pior já passou”, e agora, nosso problema mais grave é o do champanhe, aquela “ressaquinha” básica. Katy conseguiu superar suas dores e agora só quer saber de se divertir. A produção dessa música é fantástica – os violinos certamente são o ponto alto – e é talvez uma das canções mais diferentes da carreira. É divertida e inspirada nos anos 80; seria facilmente tocada na discoteca naquela época. Mais um hit DISCO em 2020 à caminho? “Cha cha cha cha cha!”

9. Tucked

“Na na na na”. Seguindo a vibe leve da reta final do “Smile”,  “Tucked” é uma daquelas clássicas músicas animadas de Katy, onde parece que somos transportados diretamente para um universo colorido e cheio de doces. A música fala sobre guardar alguém no pensamento e acessar essa memória quando quiser. Mas será que vale a pena? “You’re someone I should forget.”

Bom, para mim, é uma dreamy pop perfection.

10. Harleys In Hawaii

Quando vi que essa entraria na tracklist, achei que poderia não combinar, ficar solta e aleatória na lista de músicas, mas “Harleys” está no lugar certo, pois funciona perfeitamente como uma sequência de “Tucked”; a vibe combina muito. Aclamada por críticos e fãs, é também uma das mais diferentes da carreira e só agrega neste álbum, estando despretenciosamente por aqui. Que acerto, Katy!

11. Only Love

Uma faixa good vibes. É sobre deixar o ódio para trás e ficar apenas com o amor. Também fala sobre as coisas que Katy faria se esse fosse seu último dia viva, como pedir desculpas para sua mãe por todas as vezes que não ligou de volta quando ela a procurava.

Fofa demais, e acredito que será uma das músicas que mais cresce no álbum depois de um tempo. No final de toda a jornada, Katy percebeu que conseguiu manter o amor em sua vida. E é isso que importa.

12. What Makes a Woman

Katy descreve o que faz uma mulher para ela. É uma faixa bem curtinha, mas serve como final perfeito para o “Smile”, que se encerra de forma suave, passando a ideia de que seu percurso até aqui foi uma grande lição, mas que no final, mesmo que tenha sido difícil, ela conseguiu superar e hoje é uma mulher orgulhosa de si. E quer saber? Claro que nós também temos muito orgulho de Katheryn Elizabeth Hudson.

Como fã, sinto-me realizado por ter conseguido presenciar o começo da era mais importante da carreira de Katy. De “Never Really Over”, em maio de 2019, até o lançamento do álbum, em agosto de 2020, a era “Smile” representa superação, realização pessoal (babycat e Orlando, nós te amamos) e gratidão pela vida. E como é bom viver na mesma época que essa artista tão resiliente, humana e amorosa. Como é bom compartilhar o sorriso com uma pessoa que sorri para a vida, mesmo quando a vida não sorri de volta. Katy, você merece o mundo!

Não vejo a hora de todo mundo curtir esse álbum lindo! A partir do dia 28 de agosto, “Smile” estará disponível em todas as plataformas digitais.