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CRÍTICA: ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ apresenta Sam Raimi introduzindo um terror sombrio no Universo Marvel

Foto/Divulgação

As expectativas para Doutor Estranho no Multiverso da Loucura estão altas, e poderia facilmente se perder, ainda mais quando se trata de duas tramas importantes no universo MCU [Universo Cinematográfico Marvel] se misturam em uma única produção. Porém, esse encontro trouxe uma aventura épica e memorável para os fãs das histórias em quadrinhos, e o foco principal de Sam Raimi foi alcançado com sucesso.

A batalha entre Wanda Maximoff (Feiticeira Escarlate) e Stephen Vincent Strange (Doutor Estranho) pode ser a mais insana e sombria da Marvel de todos os tempos — tanto para o bem quanto para o mal — com o olhar do público e dos críticos. Trazer a conclusão da Dinastia M (um evento de escala mundial que envolveu os Vingadores e os mutantes do X-Men) abre uma caixa com inúmeras possibilidades. Além do mais, esta é uma continuação direta do ocorrido em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) e WandaVision (2021).

Na direção de Sam Raimi, responsável pelos clássicos filmes do Homem-Aranha (2002), o filme traz à tona as raízes e as mudanças do Doutor Estranho desde o primeiro filme, bem como a batalha de duas partes dos Vingadores contra Thanos, e as desavenças com o Barão Mordo.

A história apresenta Miss América (Xochitl Gomez), uma adolescente que possui a capacidade de abrir portas para o multiverso. Esse poder atrai Doutor Estranho para uma corrida frenética para salvar o nosso universo. Nessa situação, o filme explode em uma fileira psicodélica e sombria por outros universos. Mas, apesar disso, a produção ainda mantém o clichê e explora situações de maneira divertida, mas de forma nova: esse filme fará você rir e pular da cadeira de maneira assustadora, isso em simultâneo. Uma experiência que vale a pena de sentir em um cinema.

Um fato importante para se discutir é que o resultado final, ao todo, deste filme beira normalmente o que foi visto pelo estúdio nas séries do Disney+. O roteiro conta com a exploração de várias possibilidades e se divide em detalhes sem abandonar a principal, como visto em Loki (2022) e se move em um ritmo rápido que é fácil simplesmente se deixar levar com isso, um ponto positivo, comparado há filmes de heróis com mais de 3 horas de duração.

Outro ponto positivo a falar sobre esse filme é o fato do diretor escapar do “padrão Marvel” em determinados momentos, trazer conversas mais maduras e completas, além de se arriscar com o orçamento caprichado deste filme nos efeitos visuais, que não foram poucos. Explorar uma nova faceta de Benedict Cumberbatch vai trazer um destaque maior para o herói nas próximas produções.

No entanto, Elizabeth Olsen é o maior destaque do filme. E não estou aberto para discutir isso.

A posse do Darkhold e a liberação da Feiticeira Escarlate trouxe uma revolta amedrontadora e sem piedade para Wanda que quer os poderes de Miss América para ela, pois, ao visualizar outras realidades, tem certeza de que conseguirá superar a perda dos filhos criados em Westview para, de fato, conviver com Billy (Julian Hilliard) e Tommy (Jett Klyne). Então, ao se ver como uma ameaça para o Doutor Estranho, ela se torna uma vilã impiedosa, que conta com diversas passagens por diferentes realidades. Inclusive, devemos começar uma campanha para Elizabeth Olsen concorrer aos principais prêmios do cinema por esse papel.

Existem batalhas que a atuação da atriz é imposto de forma brutal que você, automaticamente, começa a se questionar se isso é um filme de terror ou de ação – inclusive, não recomendo que menores assistam essa produção desacompanhados, não é fácil de se assistir e é assustador.

Wanda se torna a principal nessa história, deixando Doutor Estranho como secundário em seu próprio filme, e com razão. Sam Raimi desenvolveu muito bem a mudança da feiticeira, vistos nas telas nos últimos anos, mas tanto sua direção quanto o roteiro de Michael Waldron (Loki) pecam em não explorar mais sobre a dor e o ódio da, até então, heroína. O que tornou a história um pouco cansativa em determinada parte do filme, mas nada muito discutível.

Apesar disso, Michael Waldron é esperto o suficiente para intercalar os dois temas de uma forma quase inseparável dentro desta aventura, descrita como “o primeiro filme de terror da Marvel”. Algumas das cenas mais memoráveis da produção são as de suspense, permeados por cenas inspiradas em vários clássicos do terror, cumprindo trazer uma nova experiência aos filmes de heróis. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é um dos melhores filmes da MCU e irá conquistar o público fiel que acompanha esse mundo cinematográfico.

Sinopse: Doutor Estranho, com a ajuda de aliados místicos antigos e novos, atravessa as perigosas realidades alternativas e alucinantes do Multiverso para enfrentar um novo adversário misterioso.